Falar sobre a minha história para quem ainda não me conhece é falar sobre uma história que se repete na vida de muitos brasileiros.
Sou filha de pais separados e cresci vendo minha mãe trabalhar e cuidar de duas crianças, na maior parte do tempo, sozinha. Quando caminhava com ela pela rua, era comum ouvir elogios sobre o quanto ela era uma mulher trabalhadora. E eu me perguntava: como eu, filha dessa mulher, poderia não querer ser uma mulher trabalhadora também?
Comecei a trabalhar cedo e segui assim até a vida adulta. Sonhava em cursar uma faculdade, mas, por muito tempo, acreditei que esse sonho estava distante demais da minha realidade. Aos 19 anos, olhava para os meus amigos que haviam começado a faculdade aos 17 e me perguntava: “Será que ainda dá tempo?”
Com o incentivo deles e de outras pessoas queridas, comecei a graduação em Psicologia às vésperas de completar 20 anos.
Logo no início, percebi que havia feito a escolha certa. A faculdade me apresentou desafios que, muitas vezes, pareciam maiores do que eu poderia enfrentar, mas também me trouxe algo que até então eu não conseguia enxergar com tanta clareza: a esperança de construir uma realidade diferente.
